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OS CUPINS NO AMBIENTE NATURAL


A importância dos cupins nos ecossistemas está relacionada à sua abundância e à sua ação na transformação de minerais e componentes orgânicos, em comparação com outros organismos.
A densidade de cupinzeiros epígeos pode atingir 1.000/hectare, e a de indivíduos no solo 1.000-10.000/m2, com biomassa de 5-50 g/m2. Essas cifras superam os valores obtidos para outros animais decompositores do solo e destacam a importância ecológica dos cupins.
Nas regiões tropicais e subtropicais, a densidade de ninhos epígeos pode representar um aspecto dominante na paisagem, como os campos repletos de cupinzeiros do Brasil central, e as pastagens igualmente infestadas da região sudeste. Mesmo nos hábitats com escassez de ninhos visíveis, não é freqüente uma touceira arrancada surpreender pela quantidade e variedade de cupins que permeiam o raizame e o solo. Isto pode ser comprovado em qualquer pastagem ou campo do sudeste ao nordeste e centro-oeste do país.

 

Cupins são provavelmente os mais importantes agentes de decomposição da madeira. Volumosos troncos e raízes, que permaneceriam preservados, talvez por décadas, são mais prontamente incorporados na dinâmica de ciclagem orgânica ambiental.
Cupins exercem poderosa ação benéfica no solo, canalizando-o numa proporção bem maior do que as minhocas. Os túneis termíticos contribuem para a aeração e drenagem. O movimento de partículas entre os horizontes, carregadas pelos cupins, promove a descompactação e manutenção da porosidade, além de distribuir a matéria orgânica. Assim, cupins são importantes agentes de manutenção da vitalidade do solo dos ambientes naturais e de beneficiamento e regeneração dos solos degradados e compactados das pastagens e cultivos.

A ação termítica pode responder pela alteração de grandes perfis geográficos. As “savanas de térmites” africanas compõem verdadeiras ilhas de vegetação lenhosa, assentadas sobre grandes ninhos epígeos de Macrotermes, em meio à imensa savana assolada por inundações, incêndios, e com deficiência mineral no solo. Esses ninhos, que também proliferam bastante nas vegetações degradadas pela ação humana, cujo solo foi exaurido pelas atividades agropastoris, conduzem à formação de ilhas de vegetação mais exuberante, gradual e sucessivamente mais arbóreas e maiores, até que, em regiões mais úmidas, eventualmente coalescem em mata contínua, regenerando o ambiente original.

 

Muito proeminente é o papel termítico nas gênese de lateritas e bauxitas túbulo-alveolares, oriundas da ampla canalização do solo e subsolo pelos cupins das eras glaciais (9.000-18.000 anos passados), e mineralizadas no correr dos milênios, preservando o resultado do árduo labor da fauna extinta. A mesma origem é ilustrada pelo profundo (18 metros até a base rochosa) perfil do subsolo na região da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, o qual demandou muito esforço de engenharia para corrigir a elevadíssima permeabilidade do subsolo profusamente canaliculado por cupins, hoje extintos na tórrida localidade, mas seguramente abundantes no passado glacial, quando a Amazônia era recoberta de vegetações áridas, do tipo das caatingas e cerrados.
Da mesma maneira surgiu a formação denominada “cabeças de jacaré”, do subsolo do Piauí.
Os ninhos dos cupins, individualmente, compõem um microambiente particular, apreciado por incontável número de inquilinos. Estes são ditos termitariófilos, e buscam morada,presas ou local de nidificação, nas reentrâncias, cavidades e entorno dos ninhos. Principalmente os ninhos permeados por, ou que circunscrevem grandes cavidades e canais, albergam variada fauna associada, que vai de vermes (planárias terrestres, lesmas) e artrópodes (formigas, abelhas, vespas, miriápodes, aranhas, opiliões, escorpiões, hemípteros, coleópteros etc.) a vertebrados (sapos, cobras, lagartos, roedores). Ninhos erodidos ou ocados também são muito freqüentados por fauna inquilina. Cupinzeiros, portanto, são mais do que simples moradias de cupins.

 

Os ninhos são eventualmente apreciados como alimento, por alguns organismos. É relativamente comum encontrarmos larvas de alguns lepidópteros e coleópteros devorando os ninhos muito orgânicos, construídos por alguns cupins, como Anoplotermes, e as raízes que neles penetram. Existem coleópteros escarabeídeos que consomem ninhos cartonados arborícolas de Microcerotermes e Nasutitermes, ou o miolo orgânico de ninhos epígeos de Cornitermes. Esses escarabeídeos parecem ser, de alguma maneira, adaptados à invasão dos ninhos, nos quais depositam seus ovos e desenvolvem os imaturos, sem que os cupins consigam eliminá-los. Mesmo ninhos subterrâneos, como os de Procornitermes lespesii, não é incomum mostrarem escoriações na superfície externa, às vezes profundas, originadas do ataque de algum animal do solo.
Os cupins representam uma iguaria muito apreciada por predadores. Formigas são os principais e mais eficientes predadores de cupins.Muitas formigas são especializadas na obtenção desse tipo de alimento, promovendo formidáveis invasões de cupinzeiros e cercos a colunas forrageiras de cupins.

 

Algumas larvas predadoras de coleópteros, principalmente da família Elateridae, também invadem cupinzeiros e lá passam boa parte de sua existência. Outros predadores especializados, que derivam substanciosa parte de sua dieta dos cupins, são os tamanduás e tatus, capazes de esburacar mesmo os ninhos mais duros. Há um sem número de predadores oportunistas, como aranhas, escorpiões, planárias terrestres, coleópteros e hemípteros predadores.
Além destes, há aves, anfíbios e lagartos, entre outros, que festejam particularmente o ensejo do enxamear dos alados.
Todas as ações mencionadas, que remontam ao passado biológico da Terra, são de inegável importância para a manutenção do equilíbrio do mundo, tal qual o conhecemos hoje. Certamente, todas continuam a ocorrer. Devemos consignar que a ação dos cupins é benéfica no ambiente natural, imprescindível para a homeostase ambiental e vitalidade do planeta.

Fonte: Brazil Nature – Virtual zoo – www.brazilnature.com

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