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DEFEITOS NA SECAGEM DE MADEIRAS

As tensões que se desenvolvem na madeira são a causa básica dos defeitos de secagem, os quais são a seguir agrupados e discutidos, tomando como base a obra de GALVÃO & JANKOWSKY (1985).

EMPENAMENTO :
Empenamento é qualquer distorção da peça de madeira em relação aos planos originais de suas superfícies. Assim, levando-se em conta os planos em relação aos quais houve alteração, os empenos podem ser encanoados, longitudinais e torcidos.
O encanoamento é definido quando as margens da peça permanecem aproximadamente paralelas, e ela adquire um aspecto encanoado ou de canaleta. Esse tipo de empeno aparece em conseqüência da diferença de estabilidade entre as direções radial e tangencial, que provoca a maior movimentação de uma das faces da peça em relação à outra. Outra causa para o empeno encanoado é a secagem mais rápida de uma face. Essa diferença de umidade ocorre quando a peça está apoiada sobre toda a extensão de uma das faces, de forma que a evaporação da água seja maior na outra, ou quando uma das faces recebeu revestimento enquanto que a outra permanece ao natural. De uma forma geral, as peças retiradas mais exteriormente da tora tendem a apresentar mais nitidamente o fenômeno, pela maior retração da face que se situa próxima à casca.
O empenamento longitudinal é caracterizado pelo afastamento de uma face em relação a um plano que une uma extremidade a outra da peça. Ocorre como conseqüência de irregularidade da grã, ou quando a peça é retirada de forma que a grã faça um ângulo com a direção do seu comprimento. Pode ocorrer, também, como conseqüência de tensões desenvolvidas durante o crescimento da árvore. Nessas condições, quando as toras são desdobradas, as pranchas racham ao centro com empenamento longitudinal. Esse tipo de defeito é freqüente em E. saligna.
O empenamento torcido caracteriza-se pelo fato de a peça apresentar-se torcida. Ele ocorre principalmente em madeira proveniente de árvores que apresentam grã espiralada.

RACHADURAS:
As rachaduras aparecem como conseqüência da diferença de retração nas direções radial e tangencial da madeira e de diferenças de umidade entre regiões contíguas de uma peça, durante o processo de secagem. Essas diferenças levam ao aparecimento de tensões que, tomando-se superiores à resistência dos tecidos lenhosos, provocam a ruptura da madeira. Na secagem as rachaduras superficiais podem aparecer quando as condições são muito severas, isto é, baixas umidades relativas provocando a rápida secagem das camadas superficiais até valores inferiores ao PSF, enquanto as camadas internas estão ainda com mais de 30% de umidade. Como as camadas internas impedem as superficiais de se retraírem, aparecem tensões que, excedendo a resistência da madeira à tração perpendicular às fibras, provocam o rompimento dos tecidos lenhosos. Normalmente, a ruptura ocorre nos tecidos que compõem os raios, constituídos de células parenquimáticas.
As rachaduras de topo aparecem, geralmente, nos raios, que são constituídos por células parenquimáticas de reduzida resistência mecânica. São conseqüência da diferença entre as retrações tangencial e radial. É bastante dificil a secagem de seções transversais de toras sem que apareçam rachaduras de topo.

ENCRUAMENTO:
O encruamento é causado basicamente por secagem muito rápida ou desuniforme. Uma secagem rápida da madeira, com umidade inicial superior ao PSF, faz com que as suas camadas externas atinjam rapidamente baixos valores de umidade. Em conseqüência essas camadas ficam sob o efeito de esforços de tração, enquanto a parte central, estando acima do PSF, não se retrai e fica sob compressão. Continuando a secagem nas mesmas condições a parte central passa a uma umidade menor ao PSF e começa a retrair-se. Entretanto, essa retração não é acompanhada pelas camadas externas, ocasionando a sua compressão. Nessas condições, a parte interna está sob tração e a externa sob esforços de compressão. Essa situação permanece mesmo depois da madeira atingir um teor uniforme de umidade.
O processo de encruamento pode originar rachaduras internas do tipo favo de mel, existindo também, uma relação com rachaduras superficiais. Peças na situação descrita, em que as fendas ainda não apareceram, apresentarão deformações se novamente desdobradas. Assim, uma prancha desdobrada no sentido da sua espessura resultaria em duas tábuas encanoadas.

COLAPSO:
O colapso caracteriza-se por ondulações nas superfícies da peça de madeira, que pode apresentar-se bastante distorcida. O colapso é basicamente ocasionado por forças geradas durante a movimentação da água capilar, as quais deformam as células. O colapso aparece quando a tensão desenvolvida durante a saída da água capilar supera a resistência da madeira à compressão.

De forma geral, os fatores que influem no colapso da madeira são:
– pequeno diâmetro dos capilares;
– altas temperaturas no início da secagem;
– baixa densidade da madeira; e
– alta tensão superficial do líquido que é removido da madeira. A presença de bolhas de ar na água capilar diminui a possibilidade do colapso.

RACHADURAS EM FAVOS:
É um defeito típico da secagem artificial que se caracteriza por rachaduras no interior da peça. Exteriormente a peça pode apresentar-se sem alterações. Esse tipo de defeito aparece normalmente associado ao colapso e ao encruamento, como conseqüência das tensões de tração, no interior das peças, terem excedido a resistência da madeira no sentido perpendicular às fibras.
Previne-se o seu aparecimento evitando-se altas temperaturas até a remoção da água livre do interior das peças em secagem.

Fonte: JANKOWSKY,I.P. Fundamentos de Secagem de Madeiras, Documentos Florestais.

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